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PEDRO LANGA nasceu no dia 6 de Dezembro de 1959 no distrito
de Chibuto, província de Gaza, e foi assassinado na madrugada do dia 20 de
Novembro de 2001 na sua casa, em Maputo.
Para além da sua vasta obra musical, constituída pelo menos por 40 músicas
originais e tantos outros registos como viola solo em músicas da autoria de
colegas, deixou também 5 filhos menores.
Até á data estão por esclarecer os motivos e os responsáveis por este crime,
dado que a única coisa roubada em sua casa foram os seus documentos pessoais.
PEDRO LANGA deu os primeiros passos na música, cedo , em casa, por influência
dos seus irmãos mais velhos Hortênsio e Milagre Langa.
O seu primeiro contacto com o público realiza-se no ano de 1976 com o grupo de
canto e dança da OJM, no clube da Juventude.
Mais tarde, em 1978, vai para o centro de formação de professores (EFEP), aonde
é um dos activistas culturais. Participa também, com o conjunto HOKOLÓKWE, em
espectáculos promovidos pela direcção Nacional da cultura, em Maputo no ano
1979. È num destes concertos que ele faz a sua aparição pública individual.

O PRIMEIRO ESPECTÁCULO
Foi no cinema SCALA, com o HOKOLÓKWE. A este respeito ele próprio costumava
contar a rir-se que foi vaiado.
Nesta “altura” o conjunto que o acompanhava era bastante conhecido como imitando
música estrangeira e o público disse “fora”. Mesmo assim ele cantou as duas
músicas até ao fim (TSIBILA THEMBUENE, com letra de José Alberto Chambe e FERIDO
REGRESSO), apesar de ninguém ter ouvido.
Neste mesmo ano é expulso da EFEP juntamente com outros 5 colegas e como castigo
vai para o serviço militar obrigatório.
Regressado da “tropa”, e com o conjunto MBILA faz os “shows” de fim-de-semana no
Clube da Juventude.
Funda o grupo NDZUTI em 1983, que tendo em vista participar no concurso de
música ligeira promovido pela EME(Empresa Moçambicana de Espectáculos, sob a
direcção de Edie Mondlhane), se junta ao músico Simeâo Mazuze. O nome como se
registam no concurso é XIGUTSA-VUMA. Ganham o prémio da melhor composição.

A GENESE DO GHORWANE
Este grupo desagrega-se, e pouco tempo depois, PEDRO LANGA funda o grupo
GHORWANE (nome de um lago de Chibuto). Da composição inicial fazem parte: o
baterista Hilário, o guitarrista Tchika, o trompetista Júlio Baza, o flautista
Wilson, o compositor saxofonista e vocalista Zeca Alage (também assassinado), o
percussionista Dingo (falecido), e o baixista Lot.
Estamos em Novembro de 1983 e os primeiros ensaios do grupo foram feitos num
banco do jardim Tunduro, com uma viola emprestada por David Macuácua. Ainda
neste mesmo ano, o grupo submete á RM algumas músicas para gravação, que são
rejeitadas.
No início do ano de 1984, Roberto Xitsondzo, vem a Maputo, pretendendo gravar
algumas das suas músicas. Não tendo grupo para o acompanhar, entra num acordo
com o GHORWANE, a banda faz o acompanhamento ás suas composições e em troca ele
permite ao grupo gravar 2 musicas da autoria de PEDRO LANGA( FERIDO REGRESSO e
N`DLALA-fome desta era), conseguindo assim “fintar” a RM.
É exactamente no dia 7 de fevereiro de 1984 que o grupo entra em estúdio, para
gravar pela primeira vez, juntamente com Compositor, vocalista e viola Roberto e
ainda com David Macuácua, amigo de infância do PEDRO, que conhecendo bem as
músicas fica com a responsabilidade dos coros e percussão.
Um pouco mais tarde, Lot abandona o grupo e em sua substituição entra o baixista
Carlos Gove. O aparecimento do grupo em palco, é no dia 23 de junho no cine-teatro
Àfrica.
Sobre este concerto o jornalista José Pinto Sá escreveu, “confrontados com a
falta de fundos para adquirir guarda-roupa, os músicos decidem assumir
provocatoriamente a sua pobreza. Aparecem com as caras enfarruscadas, semi-nus,
esfarrapados, Zeca Alage recusa-se a falar portugues...mas são sobretudo as
canções que fazem escândalo, abordando fortemente temas como a guerra e a
miséria em Moçambique.”
Em 1985, Pedro Langa é representante finalista no “concurso descobertas 85”
promovido pela RFI(rádio frança Internacional). Em 1986, se separa
do seu grupo e decide fazer a carreira a solo sendo acompanhado pelos grupos
VERSÃO, SOM LIVRE, NOVA DIMENSÃO, OS COSSAS, HOMBA MÔ, ORQUESTRA MARRABENTA e
CENTRAL LINE.
Participa em Lisboa no Teatro Dª Maria II, com o grupo GHORWANE no espectáculo
da 1ª conferencia internacional dos jornalistas de expressão Portuguesa,
produzido por Artur Garrido no ano de 1988.
A 24 de Setembro de 89 com grupo GHORWANE, participa em mais um concerto com Músicos Sul-Africanos,
Sipho Muxuno e P. J. Powers.

HE MHADJA
Em 1991, lança a colectânea “HE MHADJA” (Ó JOVEM), com 10 músicas da sua autoria,
acompanhado pelo grupo GHORWANE e o HOMBA MÔ e ainda pelos músicos Zeca Tcheco e
Léman Pinto.
Em 1993 é o vencedor da canção mais popular no concurso “NGOMA MOÇAMBIQUE”, com
a musica MAMBA YA MALEPFO -mamba com barbas.

O REGRESSO
Em 1994 é convidado a integrar novamente o grupo GHORWANE, e a aparente
dicotomia GHORWANE-PEDRO LANGA, resolve-se com a seguinte frase sua; “Tenho
musica suficiente para mim, para o GHORWANE e ainda sobram algumas para outras
coisas”.
No ano seguinte,(produzidos por Leo Stolk e Lukas Bosma e que os acompanharão
até ao ano de 1997, altura em que regressam á Holanda) participam no festival de
música da SADC em Harare, no Zimbabwe.
Em janeiro de 1996 o GHORWANE faz na África do Sul um concerto denominado AFRICA
ONE com Hugo Massekela e o grupo Bayete. Participam também numa digressão
conjunta com um grupo Austríaco de música tradicional,(WEINER TSCHUSCHENKAPELLE)
pelo centro do país, num intercâmbio cultural para a divulgação da cultura
Tsonga.

CD KUDUMBA
Em maio de 1996 o grupo parte para uma digressão de 90 dias pela Europa, em
festivais de música e em locais privados passando por Portugal, Espanha, França,
Bélgica, Holanda, República Checa, Áustria e Alemanha onde gravam o CD KUDUMBA,
que contém 3 músicas suas (UYO M SIYA KWINI-aonde é que o deixaste, VHÔRY-juro e
MAMBA YA MALEPFO, editado pela Piranha em 1997. No folheto que acompanha o
disco, Mia Couto escreve ”Com mestria eles realizam essa obra de feitiçaria que
é sentar-se sobre as próprias desgraças e recarregarem a alma de riso. Essa
generosidade de inventar luminosidade onde a vida escavou um túnel é a razão
primeira que faz com que as canções destes jovens sejam cantadas nas ruas deste
país e perdurem como se fossem barcos a viajar além do horizonte do quotidiano.
Faz bem escutar este milagre de converter a lágrima em sorriso.” Seguem-se
inúmeros concertos do grupo no Centro Social do Desportivo.
No ano seguinte a musica UYO M SIYA KWINI é editado numa colectânea denominada
“THE BEST OF AFRICA” juntamente com outros conhecidos músicos africanos como
YOUSSOU N’DOUR e MANU DIBANGO.

AS ÚLTIMAS COMPOSIÇÕES
Em 1997 mostra ao público as suas últimas músicas, acompanhado por jovens da
Escola Nacional de Música.
Em 2000 volta a apresentar-se, mais uma vez acompanhado pelo grupo HOMBA MÔ no
Cine-Teatro Àfrica num repertório que continha as últimas músicas mais
trabalhadas e ainda outras músicas de repertórios anteriores, de sucesso.
Edita com o grupo Ghorwane no CD MOZAMBIQUE RELIEF a música WAVITIKA-rancoroso,
a quarta música sua gravada em CD. A cassete HE MADJAHA encontra-se em bobine e
as suas últimas músicas, numa cassete. A família, o grupo GHORWANE e os amigos
fazem neste momento todos os esforços por realizar o seu grande sonho, editar as
suas músicas.
Maputo, 28 de Outubro de 2002
MÊMÊ